Um Divã Erótico.

segunda-feira, 14 de abril de 2014




Um Divã Erótico.
autor: ALEX AZEVEDO DIAS.

Ao ouvir seu nome, levantou-se e se aproximou do consultório. A porta estava apenas encostada. Tocou a maçaneta e a abriu. Uma força o impulsionara para fora, embora tivesse marcado aquela consulta espontaneamente, usando o próprio punho para ligar e agendar a entrevista.

Assustou-se ao se dar conta de que não havia uma viva alma no consultório. Espiou atrás da cortina. Apalpou o divã. Mexeu nos livros em cima da mesinha. Pegou um copinho de café na banqueta ao lado. Sentou-se no divã, cruzou as pernas, folheou uma revista e novamente ficou de pé. Certificou-se que realmente não havia ninguém. Deu uma rápida olhada para um lado, depois para o outro, flexionou os joelhos e fez o sinal da cruz.

Quando ia se deitar, engoliu um grito ao perceber que a analista já se encontrava em sua poltrona apenas olhando para ele com cara de poucos amigos. Jason deu um pulo para trás. Arrumou a gola da camisa e espanou pelinhos imaginários de sua calça jeans. Constrangido, sem deixar de olhar para o semblante paisagístico da analista, ensaiou um retorno ao divã.

Antes de tocar as nádegas no estofado do móvel freudiano, a doutora franziu o cenho e com apenas um gesto com o dedo indicador, disse para que Jason não se sentasse ali. Com a outra mão, indicou-lhe um sofazinho de apenas um lugar localizado à sua frente. A analista tirou os óculos e os depositou sobre a mesma banqueta do café ao lado de sua poltrona.

Jason desviou o olhar para o lado enquanto a analista continuara fitando-o fixamente, mas como se seu olhar o atravessasse, como se seu corpo fosse transparente. Depois de um longo tempo em silêncio, Jason tomou coragem e falou de suas compulsões. Nesse instante, a analista, até então sem mover um músculo da face, novamente ergueu o dedo indicador e apontou o divã, sugerindo que o paciente se deitasse. Jason procurou algum sinal que consolidasse tal convite, mas ela se manteve com feições imutáveis.

Timidamente, o paciente se levantou e se dirigiu ao divã. Antes de se deitar ainda deu uma espiadela na analista, buscando confirmação e temendo ser novamente interrompido ao se ajeitar naquele estofado macio. Não havendo repressão ao seu ato, Jason arrumou-se confortavelmente, com as pernas esticadas e as mãos cruzadas no peito. Ficou em silêncio por um tempo considerável, receando quebrar o clima de paz por alguma palavra mal colocada. Tomou fôlego, respirando fundo, e reiniciou a história sobre compulsões.

Antes mesmo de completar a terceira frase, sentiu dedos finos e longos acariciando seus cabelos. Calou-se, prendendo a respiração por um instante de perplexidade. Além da analista, não imaginava ninguém que teria entrado no consultório e se posicionado atrás do divã, acariciando seus cabelos. Temia se virar e acabar dando de cara com alguém que resistia em ver e saber. Também duvidou ser tudo aquilo apenas fruto de sua imaginação ou pior, de uma alucinação psicótica. Mas as carícias continuaram. Já sentia as duas mãos deslizando do rosto ao queixo e do queixo ao pescoço. Fechou os olhos, apertando as pálpebras. Começou a suar frio, embora permanecesse imóvel.

No momento em que lábios carnudos tocaram os seus, colando-os ao desencostarem pela secura da tensão, Jason não mais resistiu e abriu os olhos. Ao ver o rosto que se delineara à sua frente, quis novamente fechá-los, mas continuou olhando-o firmemente, pois não acreditava em tal espetacular visão. Era sua analista que havia subido em cima dele, já sem sua discreta roupa de ofício. Estava apenas de calcinha e sutiã. Separara as coxas com fúria e as encaixara no quadril de Jason. Com as mãos apoiadas em seu peito, a analista inclinou o corpo para trás e soltara os volumosos e encaracolados cabelos castanhos, sacudindo-os de um lado ao outro para que se desembaraçassem e assegurassem sua sensualidade natural.

Jason estremeceu. Fechou os olhos e se concentrou para aguentar o tranco com virilidade. Apalpou os seios de boa proporção da analista, tirando seu sutiã após arranhar de leve suas costas. Depois, apertou a bunda da moça com rara impaciência e lhe retirou a calcinha. Reconheceu as partes internas por entre as coxas suadas, recebendo como retribuição, um gemido de prazer. Ambos se livraram de todo o estorvo de tecidos e panos. Após um encaixe perfeito, a mulher, urrando de excitação, ainda com as mãos apoiadas no peito de Jason, requebrou alucinadamente a cintura, para cima e para baixo, enquanto ele colhia seus seios com a palma das mãos.

Segurando com as duas mãos no tronco da moça, trouxe-a até que se deitasse por completo sobre ele, enquanto assumia, freneticamente, o controle daqueles movimentos eróticos. Antes do ato final, a doutora saiu de cima da Jason e se colocou de quatro, apoiada no estofamento do divã, e esperou receber o instrumento pulsante do rapaz. O móvel freudiano fora empurrado alguns metros pelo consultório adentro, visto a gana daquele inusitado encontro sexual. Sussurros, gritos e suores. Os dois desabaram em frangalhos pela violência e volúpia daquela embolação sem vergonha. Encerrando o gozo derradeiro, acompanhado pelo úmido e surdo desabafo do tesão, os dois, num silêncio ofegante, vestiram-se e retomaram seus devidos lugares.

(...)

Jason estava sentado num largo sofá na sala de espera. Cochilara com a cabeça encostada na parede. Abriu os olhos. Conferiu as horas. Havia só mais uma pessoa para entrar, mas apenas depois dele. Estremeceu ao ouvir seu nome. Finalmente chegara sua vez. Uma figura feminina, elegantemente vestida, estava à sua espera. Jason cumprimentou a analista e se apresentou. Ela sorriu e lhe indicou um sofazinho para se sentar. Ele queria logo se deitar no divã como via em filmes sobre psicanálise que tanto gostava.

Ainda trêmulo, ele se sentou e cruzou as pernas. A analista se aconchegou em sua poltrona e se disponibilizou a escutá-lo. Ele custou a começar a falar. Vencendo a covardia para dizer o motivo de sua procura, iniciou timidamente um discurso sobre compulsões. A analista, apenas com um gesto de mãos, indicou o divã para que ele se deitasse. Jason se levantou e sem que a doutora visse, de costas, fez um sinal da cruz. Deitou-se e permaneceu a sessão toda em silêncio. Após um tempo determinado, a analista se levantou, abriu a porta e, sorrindo, o convidou que se retirasse, marcando a próxima sessão para a semana seguinte.

Escrito por Alex Azevedo Dias.

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