Ficou a saudade!

domingo, 9 de janeiro de 2011


Me recordo da tia amável 
que viveu na velha fazenda,
de cabelos pretos e longos, 
bem arrumados num coque.
Ela era mãe zelosa...
Trazia na mão uma colher de pau...
E o que a preocupava
eram as folhas do velho cajueiro
amotinadas pelo chão.

Me recordo das noites de conto assombrados
nos quartos da fazenda do passado.
 Quem não lembra da boneca chorona 
que subia no cajueiro?
Do leite fervendo na leiteira.
"Corre vai sujar o fogão!"
Dos primos, das primas e da nossa amizade.
A mesma que gozávamos nos pic-nics do jardim.
Quando a Meire 
ajudava na brincadeira de fazer comidinha
no fogão a lenha!

Me recordo de Luísa ao regressar de Brasília
que fazia das tripas coração para ter diploma na mão.
Da Ana Paula brincalhona. 
Adriana de dedo na boca e a saia mostrando o umbigo.
Da Meire acanhada fugindo do João.
Me recordo do Alexandre, Jonas, Jerônimo.
De Doginho trazendo alegria aos irmãos.

Me recordo e vem a saudade!
Quero que o tempo apague e volte tudo.
Para fazer o que foi feito de novo 
e matar esta saudade que vem no coração!


Rosangela Ataíde


3 comentários:

{ Kassya Mendonça } at: 10 de janeiro de 2011 10:28 disse...

Rosangela,
voce me fez recordar de coisas da minha infância e adolscencia; que tempo bom aquele, dos primos, primas, das travessuras, dos primeiros olhares; as pessoas que nos visitavam e que deixavam saudades; e depois quando se foram para sempre deixaram um vazio!
Como seria bom se a gente pudesse voltar e refazer estes momentos! trazer de volta as pessoas e os sentimentos;
mas apesar de não podermos ainda bem que nos resta as lembranças e esta saudade boa!

Muito lindo teu poema, tocante, terno e saudoso!

beijos

{ Marcos Airosa } at: 10 de janeiro de 2011 15:58 disse...

Também me lembro de minha infância, bons tempos. Gostei muito Rosangela, alias gosto de tudo que vc escreve.bjo.

{ Neusa Fiesta } at: 11 de janeiro de 2011 13:33 disse...

Nossa Rosângela, me deu até um aperto no coração lendo este seu poema, tal a profundidade e a beleza dele. Uma coisa viva, mesmo, não apenas palavras. Eu me recordei...vc sabe de quem...ah.....só ficou a saudade!
Um grande beijo, minha amiga!

Postar um comentário