A Águia e o Falcão!

segunda-feira, 29 de novembro de 2010 7 comentários
Conta uma velha lenda dos índios Sioux, que uma vez, Touro Bravo, o mais valente e honrado de todos os jovens guerreiros, e Nuvem Azul, a filha do cacique, uma das mais formosas mulheres da tribo, chegaram de mãos dadas, até a tenda do velho feiticeiro da tribo ...
- Nós nos amamos... e vamos nos casar - disse o jovem.
- E nos amamos tanto que queremos um feitiço, um conselho, ou um talismã... alguma coisa que nos garanta que poderemos ficar sempre juntos... que nos assegure que estaremos um ao lado do outro até encontrarmos a morte. Há algo que possamos fazer?
E o velho emocionado ao vê-los tão jovens, tão apaixonados e tão ansiosos por uma palavra, disse:- Tem uma coisa a ser feita, mas é uma tarefa muito difícil e sacrificada...

- Tu, Nuvem Azul, deves escalar o monte ao norte dessa aldeia, e apenas com uma rede e tuas mãos, deves caçar o Falcão mais vigoroso do monte e trazê-lo aqui com vida, até o terceiro dia depois da lua cheia. E tu, Touro Bravo - continuou o feiticeiro - deves escalar a montanha do trono, e lá em cima, encontrarás a mais brava de todas as Águias, e somente com as tuas mãos e uma rede, deverás apanhá-la trazendo-a para mim, viva! Os jovens abraçaram-se com ternura, e logo partiram para cumprir a missão recomendada...
No dia estabelecido, à frente da tenda do feiticeiro, os dois esperavam com as aves dentro de um saco. O velho pediu, que com cuidado as tirassem dos sacos... e viu eram verdadeiramente formosos exemplares...
- E agora o que faremos? - perguntou o jovem
- as matamos e depois bebemos a honra de seu sangue?
Ou cozinhamos e depois comemos o valor da sua carne? - propôs a jovem.
- Não! - disse o feiticeiro, apanhem as aves, e amarrem-nas entre si pelas patas com essas fitas de couro... quando as tiverem amarradas, soltem-nas, para que voem livres...


O guerreiro e a jovem fizeram o que lhes foi ordenado, e soltaram os pássaros...
a Águia e o Falcão, tentaram voar mas apenas conseguiram saltar pelo terreno. Minutos depois, irritadas pela incapacidade do vôo, as aves arremessavam-se entre si, bicando-se até se machucar.
E o velho disse:
- Jamais esqueçam o que estão vendo... este é o meu conselho. Vocês são como a Águia e o Falcão... se estiverem amarrados um ao outro, ainda que por amor, não só viverão arrastando-se, como também, cedo ou tarde, começarão a machucar-se um ao outro...
- Se quiserem que o amor entre vocês perdure...Voem juntos mas jamais amarrados". Jamais permitas acorrentar o Amor.

(Carlos Campos - Site Oficial:carloscampos.com.pt - www.comunidade-espiritual.com)
imagem Google

Rio

sábado, 27 de novembro de 2010 6 comentários


Rio
Cidade Maravilhosa e
das artes que o carioca transpira.
Atmosfera matinal que alucina!
Vejo germinar a paz em suas entranhas.
Rio...
Sua ruas padecem
com crianças armadas.
Frutos em parte 
de mulheres violentadas.
Mulheres tão belas,
que ao mundo fascinam.
Rio...
Não se assuste com a guerra.
Renovem as forças.
Meu povo querido!
Hasteiem suas bandeiras improvisadas,
para que volte o samba
contido em júbilo!
Salve estação Primeira de Mangueira!
Salve Portela!
Salve Imperatriz!
Salve a Paz de Deus no Rio!





Poema e imagem: Rosangela Ataíde

insensatez and how insensitive

sábado, 20 de novembro de 2010 4 comentários
Ola leitores! 
Ando um pouco sem tempo para postar e a inspiração anda escassa. Por este motivo resolvi compartilhar este vídeo slide que fiz a cerca de 1 ano, que foi pouco divulgado, mas que gosto muito. Quem me conhece sabe que sou apaixonada pelo Rio de Janeiro, minha terra natal, e por este mesmo motivo não podia faltar em homenageá-lo.
São apenas postais do Rio. Postais lindos de se ver!
Grande abraço...
Rô!


Insanidade

segunda-feira, 15 de novembro de 2010 8 comentários
Da loucura 
a sensatez 
Conto meus dedos 
para ter a certeza que tudo esta 
em seu devido lugar 
5 Em cada 
10 segundos em uma hora 
para dar atenção aos meus dedos 
maldita insanidade que me consome 
mas enquanto tiver memória 
e os números não me fugir a mente 
contarei todos dias 
como em um ritual sagrado meus ricos dedos 
tudo passa tão depressa 
dias vão e noites vêm 
e os meus dedos fiéis a mim 
ali estão! 
maldita insanidade... 
ou talvez mais pura lucidez 
dou importância a tudo 
que não é importante 
abençoados sejam meus dedinhos!!! 
Da loucura a sensatez 
volto mais uma vez aos meus dedos contar... 


Folha da minha árvore.

0 comentários

Pois foi bem assim:

Cochilo no finalzinho da tarde, acordar de supetão bem na hora, que era a hora, de dormir realmente. Daí, a cabeça que tá quase vazia, vê a TV vomitar as sangrentas atitudes dos insanos sem alma. Ah, melhor nem ver isto. Desliga, levanta e sai do quarto. E ao passar pelo corredor, olha, sem muito gosto, a correspondência preta e branca estirada sobre a mesa. Desliza os dedos, espalha ao acaso a papelada, e quase ia dando as costas, quando o dedo esbarra no único envelope colorido. O olho cresce, a pupila cresce, o sorriso vem pra cara e absorve a mão que puxa o sobrescrito pra perto do peito. Tem um gigante aqui dentro! Ela sabe disto.

Arruma um canto e no encanto se cala: degusta as letras da carta colorida. As folhas do papel digital mostram pequenos arbustos e falam das folhas da árvore nossa vida. Diz que cada folha é gente e que mesmo quando se vão, nunca vão, porque até ali se faz presente ao adubar a nossa raiz. Também conta dos amigos de todos os jeitos; família, amor e irmãos. Ao final diz que ninguém passa na nossa história, por um acaso.

Com o papel na mão fica pensando nestas palavras e a mente vai até o dia que foi fazer um resgate. Sim, foi um resgate. Por que, no meio da questão, tinha uma criança que não sabia falar. E veio da denuncia de que, num sobrado abandonado, homens e mulheres usavam a aparência do menino pra ter dinheiro. As moedas e notas eram convertidas em tragadas de qualquer coisa que os embriagasse.

O menino que não falava tinha os olhos mais sérios que já vira, e uma total ausência de expressão. Na hora do pega-prende, agachada, diante dele, só pra ele, tentou explicar o que era aquilo: “vou te levar pra um lugar onde você vai tomar leite quentinho quando acordar e aprender usar estes lápis coloridos pra desenhar um arco-íris”. O menino não sorriu, não pegou a caixa de lápis de cor, não olhou pra lado nenhum, nem quando os gritos da gentalha bêbada se espalharam pelo lugar. No meio disto, o menino que não tinha voz foi, com a caixa de lápis de cor, encaminhado a uma fazenda sem muros, nem portões com correntes.

Não se sabe por que, nem pra que, estas lembranças se juntaram àquela carta que falava de árvores e amigos. Por isto foi lá, na fazenda sem muros nem portões com correntes, saber daquela criança.

Não vou me delongar no que sua alma foi pensando pelo caminho. Só sei dizer que quando lá chegou, podia estar até sem muita esperança, mas não estava preparada para o que viu.

A casa limpa de chão vermelho. As panelas fervendo cheiro de comida boa. Quartos com beliches e camas esticadas. Procurou pra todo lugar. Um grupo jogava futebol, mas nada do menino.

- Fugiu, é? - quis saber

- Não. Olha ele ai. Rodrigo, oh Rodrigo, vem cá. Tem visita pra você!

E do meio do time no campo, uma nova criança surge. Vem correndo. Corre com a cara aberta, a alma limpa e o corpo leve. E do nada, assim, no meio da corrida, salta uma estrela no ar. Posso garantir: nunca houve nada mais bonito do que aquela estrela no ar.

Conversaram só um pouquinho, porque estava no meio do jogo, por isto foi só: Oi, tudo bem? Como cê tá bonito! Ta gostando daqui?, tudo respondido ofegante e cheio de sim, sim e hum-hum e o sorriso grande. Volta pra seu jogo, fica com Deus! E depois: Ahhh, adorei sua estrela!

Daí, nesta hora, ele volta. Pega uma das folhas de papel que estavam no chão e entrega. Leva pra você. Diz e volta pro jogo.

No papel o desenho de uma árvore, abarrotada de folha coloridas.

Agora lê novamente carta do amigo gigante e acha que o mundo pode até ser mau, mas que os pequenos milagres são insistentes o bastante pra fazer uma enorme diferença. São anjos de todo tamanho e todo jeito colorindo as folhas da minha árvore.Alguns pequenos, outros gigantes!

Meu Deus quanta beleza!

sábado, 13 de novembro de 2010 7 comentários


Meu Deus quanta beleza
...vejo em minhas ruas!
Ruas de gente animada,
essa beleza de gente guerreira!
Quanta beleza vejo neste solo...
Nesta pátria amada mãe gentil!
Beleza de um povo que dribla
a saúde debilitada,
o ensino decadente.
Um povo que se ergue
sentindo-se descrente.
Esse povo da terra Brasil!
Meu Deus quanta beleza
...vejo numa bola contida!
Que ganha o mundo atrevida!
Quanta beleza entre serras, praias e rios.
Nos sorrisos escancarados
desta gente sofrida!
Brasil de mulheres de ginga:
de Marinas e Dilmas...
Gabrielas e Luísas!
Brasil de poetas rimadores,
de políticos enganadores!
Sei que és Brasil da desigualdade.
Mas sei que és Brasil menino,
que caminhas para a sustentabilidade.
Sou brasileira 
e torço pelo meu Brasil divino!


Poesia: Rosangela Ataíde
Imagens: Google

Lembranças

sexta-feira, 12 de novembro de 2010 3 comentários
Sento  à janela.
Minha visão viaja longe.
Com ela meus pensamentos se vão.
Partem para além do cotidiano.
Partem para além do questionável,
do problemático, do discutível...
Pela janela não há vida no presente.
Pela janela só o pensamento vazio, distante.
Um exemplo da irreal realidade.
Apenas o onde que cabe na imaginação.
Ao longe, a serra se ergue.
Alta, poderosa, intransponível à visão.
Abaixo o vale, mais verde do que nunca.
Exuberância que se faz notar... dimensão, horizonte, infinito...
Leves ondulações do terreno criam figuras ao sabor da imaginação.
Repentinamente o silêncio é quebrado pelo matraquear de um bando de maritacas.
O distante relinchar de um cavalo, deixa claro que a natureza tenta seguir seu curso.
O cajueiro, infestado de pardais, também impede que o silêncio imponha sua ditadura.
As sombras dos coqueiros, dançam exoticamente, ao movimento do vento.
Os perfumes das flores misturam-se ou, a cada direção da brisa, um aroma diferente.
A brisa tem o frescor da roça, do capim molhado... coisa do campo!
O Entardecer é sinônimo de paz, de tranqüilidade.
Pela janela, a rede na varanda é um convite irrecusável.
A janela já perde seu momento de encanto.
A renda da cortina, esvoaçantemente branca, é trocada pelo sisal.
Um novo horizonte se expõe.
Um céu azul, ao fundo uma roseira... rosas vermelhas... como a paixão!
No telhado, escondido entre as telhas, um ninho.
Estridente com minha presença, um casal de pardais, num incansável vai e vem, cuida dos filhotes.
Aos poucos se acostuma com minha presença e já não se alvoroça tanto!
Me permitem o prazer de admirá-los!
Num vôo rasante, um anú pousa e balança na cerca, sua longa cauda é o que o equilibra.
Mais um... outro... em instantes são alguns.
Distante, o latido de um cão, me lembra que o mundo não é meu.
Me lembra que não sou só eu no mundo
Leve e lentamente, com um simples movimento dos pés, me ponho a balançar na rede...
vai e vem...vai e vem...vai e vem!
Um bom livro, o complemento ideal.
Música? Faz-se desnecessário, quebraria o encanto.
As pálpebras pesam e desmedidamente e insistentemente os olhos se fecham.
O sono é leve, solto,
É sono sonso, desleixado, largado, inegavelmente relaxante.
Não há uma segunda página no livro.
Já não importa o que havia para ler.
Não há o que fazer, apenas desfrutar a paz.

MALDITO SEJA

12 comentários


Maldito seja quem está no poder
Que alimenta-se das vísceras
Do povo ignorante, de juízo 
Danificado, subnutrido,
Miserável , encardido!


Maldito seja este governo
Por rir-se da nossa dor
Por não nos permitir acesso
À verdadeira educação
Maldito seja!


Maldito seja o governante
Em sua mansão
Com seus carros e avião
Gozando com  nosso suor
Vida de sultão.


Maldito seja para sempre
Este poder demente
Que faz um povo indigente
Num país tão rico de tudo
Mas carente de um poder
Decente.





Texto: Neusa Fiesta
Foto:    Google.com

O Grito!

sábado, 6 de novembro de 2010 4 comentários



Repousa contido 
no meu peito,
quase que sufocado 
entre minhas mazelas.
Enriquecido, 
por tantos escárnios...
Ele o guardião de tantas dores!
Segue comigo, 
em noites de horrores...
Sendo refém do silêncio!

Rosangela Ataíde

Imagem: Trugh her eyes