TE ESPERO, MEU AMOR

domingo, 29 de agosto de 2010 2 comentários


Te espero feito a areia espera o mar
em noites quentes sem o orvalho a refrescar.

Te espero feito Anjo agoniado
ao ver sua pupila com o olhar em lágrimas anuviado.

Te espero feito a Rosa no deserto
sonhando a fonte que encontra-se ali bem perto.

Te espero feito a mãe aflita
rezando as horas junto à vela que crepita.

Te espero feito criança ao aniversário
contando os segundos para apressar seu fadário.

Te espero feito o inverno à primavera
para derreter-se colorindo-se em nova era.

Te espero feito o mendigo ao jantar
orando para que o Rei volte os olhos ao por ele passar.

Te espero feito a enferma à injeção
sabendo que será sua última salvação.

Te espero feito quadro à moldura
completando-se em beleza àqueles a quem se afigura.

Te espero feito estrelas ao luar
iluminando as nuvens a quem os contemplar.

Te espero feito, em sombras, a donzela perdida;
pois que agora, meu Amor,
somente tua voz é a luz de Minha VIDA.

Poema de Della Coelho
Imagem: google.com


PRECISA-SE

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Eu preciso com urgência de um manifesto de ternura.
Preciso de palmas e beijos , de abraços, 
de corpos colando, misturando o suor e a saliva
Eu preciso de amor. Minha fome exige amor!

Estou no meio de máquinas,
é a máquina humana de criar monstrinhos;
o arfar dos corpos tem cheiro de óleo queimado.

Sei bem o que dizem:
"-arregale os olhos ante cada novo invento, e sinta orgulho
em ser contemporânea de idéias especializadas!"

E os sentimentos?
Foram acondicionados em papel de celofane 
e são empilhados diariamente em vitrines coloridas.

Aposentem-se todos os médicos, 
porque há uma chave de fenda em cada mão
e todas as dores são curadas com óleo de máquina de costura.

Nós precisamos de carinho urgentemente,
precisamos de ternura, precisamos de amor, 
porque temos que dar!

Penso em pregar anúncios nos muros e, em cada poste, um auto-falante.
Espalhar panfletos, pintar cartazes, mandar lembretes e ofícios.
Convocar os adolescentes, construir palanques na praça.

Onde houver gente falar, onde não houver pessoas, 
deixar recados nas portas. Insistir.
Não vai ser fácil... Mas nós precisamos de amor!

Beijem minha boca,
olhem em meus olhos com olhar de ternura
que eu vou repartir o mínimo de carinho arrecadado.

Trago no peito um grito de amor e uma semente
permitam que eu deixe o grito eclodir 
e que amanhã a semente seja o fruto multiplicado 
para a fome dos mais simples.

Ah!.., eu não posso acreditar em máquinas e poesias...
Mas, como escolher?






Texto: Neusa Fiesta
Imagem: "Rosa Branca"
cedida por Clara Bellaver-Artista Plástica


Viver em vão !!

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Tu, presente dos céus, única, sem rival
tão ao natural, perfeita em graça e formosura
em gesto e pensamento etéreo, angelical
e em tudo feita de candura

Sentada sem sequer me haveres percebido
tocavas, pensativa ,as cordas mal roçando
no queixo e na seda do vestido,
e os lábios num sorriso iluminado.

Cessou a melodia e fitastes as distantes sombras
que o fim da tarde estendia no prado,
Não podias saber quem eu era, pois antes
nunca vira um homem encadeado

Pudesse eu te mostrar esse amor encoberto
este ciúme de tudo que possuis, a ardente
inveja ao mais humilde objeto que tens por perto
só porque é teu, teu unicamente!

Ah! ser o cinto junto ao teu corpo e envolvê-lo;
ser brilho de carmim, em tua boca e beijar-te;
ser grinalda e aspirar o odor do teu cabelo
sandália e andar contigo em toda parte

Ser o leque que teus murmúrios escutasse,
a sombra a te seguir nas horas mais sozinhas,
a vela a cintilar sobre a tua linda face,
a ave que com amor a acarinhas!

Sim se eu fosse qualquer dessas coisas... Mas não!
Ser o leque esquecido a flor abandonada,
a sombra em toda a noite, a vela na alvorada
é ter vivido tudo em vão!

Marcos Airosa

NO SILÊNCIO

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Pena! Tão longe estar não podias!
Musa, canta o que posso fazer eu
para aquecer o que anoiteceu
ao sentir-te longe noites e dias.

“Parece desejar essas distâncias”
-diz a Razão ao Amor que prometeu
respeitar as razões que emudeceu
a voz que mostrava que a mim sorrias.

Razão?! A pena exibia-me sagrada
no sorver-te em busca de Amor
acrescendo na ilusão sonhada

hoje paixão debelada na dor!
O silêncio faz-me isolada
em um sonho sombrio... sem voz... sem cor.


Poema de Della Coelho
Imagem: google.com 

Triste

segunda-feira, 23 de agosto de 2010 6 comentários
Tão escuro, tão soturno,
tão denso, tão dolente.
tão úmido e nevoento
tudo tão morto?

Neste tempo ora quente, ora frio,
é mais dificil do que nunca esquecer!

Brando é o vinho e não poucas taças
dar calor que resista aos ventos gélidos do ocaso.

Voam lá no alto as gaivotas. Reconheço-as:
velhas amigas minhas,
não torneis a trazer velhas recordações !

Deixai a flor que cai jazer onde caiu.
Para que, para quem eu haveria de me enfeitar ?

Junto a janela fechada,
solitária sentinela

Vejo que o céu azul tão negro se tornou !

E o chuvisco na árvore, murmura insistentemente:
tique-taque, tique-taque

Será um momento assim, sentido assim
o que definiremos com a palavra

" TRISTE"

Marcos Airosa

JÁ NÃO SOU

sábado, 21 de agosto de 2010 14 comentários

Já não sou a cantora das grandezas humanas.
Já não consigo enxergar as "façanhas imortais".
Já não posso acreditar no homem como imagem divina.
Já não creio que haja nada divino para com ele, homem, ser comparado.

Não serei, portanto, a analista do nada, do racional-irracional.
Serei, sim, a relatora do presente.
Já não há nada mais que me desiluda, uma vez que perdi as ilusões,
as lembranças passadas e as extravagantes esperanças no futuro.

Serei, portanto, o pão que você come, a água que bebe,
o sabonete que lava suas mãos, o jornal que você lê,
a ruga que sulca sua testa.

Não serei mais recordações, não serei mais sonhos.
Usarei meu corpo, você o seu; sentiremos o amargo da carne,
o cheiro de suor, o prazer de um orgasmo ...
E será apenas isso: sensações.

Assim é o presente.
Efêmero, quase intangível enquanto presente, mas real.
Cruelmente real e sem qualquer possibilidade de não ser.

Nele, com ele, eu, você, e muita gente, estaremos vivendo.
Sem passado ou futuro.
Sem a estúpida pretensão da felicidade.
Apenas aprendendo a viver e, mais do que isso,
aprendendo a morrer.




Texto de Neusa Fiesta
Imagem: "Nu Camuflado" -
cedida por Clara Bellaver-Artista Plástica


EU SOU...

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Sou alguém e não sou nada
Sou talvez o reflexo da bela crucificada
Sou um prato sem feijão
Sou aquela que vive em sagrada solidão.

Sou aquela que nem marcas no tempo deixei
Sou a esquecida dos olhos que amei
Sou mesmo a visão que ninguém sonhou
Sou a que veio ao mundo encontrar alguém que nunca sequer me procurou.

Sou aquela que a música embalou
Sou a nota que em fé no Amor acreditou
Sou a batalha que a luta se fez vencida
Sou a mulher pelo  inimigo destruída.

Sou a rosa pelos espinhos isolada
Sou a mente romântica irrealizada
Sou a forma mais cruel do cândido prazer
Sou a que nunca mais amará em nenhum amanhecer

Sou a aberração de uma paixão
Sou a que ouvia as mentiras do coração
Sou aquela que pena têm os serviçais
Sou o perfume preso nos próprios roseirais.

Poema de Della Coelho
Imagem: google.com

QUANDO ME ENCONTREI

sexta-feira, 20 de agosto de 2010 6 comentários

Indiferença total,                           
Lei de vivência,
Filosofia vã...

Um olhar vazio, parado
um cardápio esquecido, uma bebida qualquer.

Nada é real...
Gente passando, gente sorrindo,
gente chorando
Gente...

Cada vez mais, gente!
E eu aqui, indiferente aos eternos porquês
e desesperadamente à procura de uma resposta.
Difícil entender...

Pára tudo!
De olhar toda essa gente, paro de pensar
e penso que quero parar de pensar.

Vivo!
Mas tudo é nada.
Um nada imenso, uma melancolia cruel...
Mil recordações de um amor inacabado,
de pequenas coisas que ficam guardadas.

E isso dói.
Um desperdício imenso de amor...
Dói!

Mas, é passado.
Outras coisas se sobrepõem a isso,
diferentemente e sem ansiedade.
A gente morre um pouco quando diz adeus...
Nunca mais é a mais pessoa.

Sempre haverá aquela coisinha insignificante
chamada "experiência".
Sempre haverá algo para nos deixar
menos inocentes, mais discrentes, mais indiferentes.

Termino o drink, olho à minha volta.
É inútil...
Chego a crer que minhas incertezas
já fazem parte do meu próprio eu.

Sim, é inútil!
Pago a conta, 
vou embora.


Indiferença total,
Lei de vivência,
Filosofia vã.

Será??!





Texto de Neusa Fiesta
Imagem: gravura de Eduardo Lima-
do acervo de Neusa Fiesta









PAIXÃO

quarta-feira, 18 de agosto de 2010 3 comentários



 
Um poema ao meu Amor
gostaria eu de engenhar
para que pudesse entre Flores
uma surpresa deleitosa a ti ofertar.

No entanto nada surpreende
o meu Ardor ao mundo eu cantar,
já que as Estrelas gritam aos Poetas
como é Eterno o meu Amar.

Se a Arte tivesse, o Engenho eu usaria
e talvez um breve pensamento teu
em  Calor me consolaria.
Mas nem Caolha ... nem Flor...
sigo, então, cantando rimas pobres
que exalam uma saudade inflamada em minha dor.

E, assim, estando ao meu lado em separado
trago-te junto de mim em minh `Alma enraizado.
Em comunhão perfeita do primoroso universo Homérico,
precisas sonhos unidos na maestria de belos versos.

Nessa sutileza poética em essência alcançada
sublimas a harmonia no rubor versejada.
Em analogia da compaixão em dois corpos sentida,
a cumplicidade inspira-se no maior Amor dado em uma Vida.
Essa afeição verdadeira tem como atos seu sobrenome
e expressa em penas o sentimento vital que nos consome.

Em deserto árido, jejuas comigo as dores minhas
e até segues em meu santuário nesta cruel comprida sina.
Amparas em mim as cruzes conseguidas
e tua ausência é a minha chaga mais dolorida.

Na via-crúcis desta Paixão Infinita,
nem há desejo de voltar a uma remediada vida.
Se o cálice bebido é o Ardor por ti em mim destinado,
sugo-o em lágrimas e entrego-me em Alma ao meu Santo Calvário.

O peso da cruz que sacra –me em meus defeitos
asfixia-me na solidão de morte presa em meu leito.
Os adeuses por teus lábios exalados
são os cravos pouco a pouco em mim enfincados.
E a lança mortal que extingue definitivamente minha essência
é quando sei que olhas  outra em toda a sua magnificência.

Entretanto, o sangue por Amor Verdadeiro derramado
transforma todas as dores em bálsamos exalados.
E porque o Homem- Deus à morte venceu,
uno-me a Ele e no esplendor de sua glória
creio que abençoará a Paixão dos versos meus.

Poema de Della Coelho
Imagem: google.com
 

PERDIDA

quinta-feira, 12 de agosto de 2010 0 comentários

Quando sem ti passo os dias e as horas,
Minh `Alma torna-se fria,
molhada como o pranto d ` aurora.

Vago em sombria solidão.
Recolho migalhas que me ajudem
a alegrar o meu infeliz coração.

Basta afastares um pouquinho
e sinto-me desamparada
caindo nas pedras duras do caminho.

Tua ausência cala o canto da Flor,
faz-me inerte, enregelada
pela inexistência de teu calor.

Tecida no Amor que a teus lábios exalo,
minha Vida a ti está enlaçada
feito Rosa que respira o orvalho.

Por mais que tente me afastar,
meu sopro está cingido
no brilho que emana de teu olhar.

Tanto carinho até o fim devotado,
a realidade canta cruelmente
a história de um Ardor fracassado.

Alguns nasceram para no céu florescer;
outros... quis o destino
que por Amor vivessem a padecer.

Sou espécime personificada na segunda intenção
e estou definitivamente perdida,
desregrada pela força infinita desta Paixão.

Poema de Della Coelho
Imagem: google.com

Viagem de Trem

quarta-feira, 11 de agosto de 2010 5 comentários
A vida não passa de uma viagem de trem, cheia de embarques e desembarques, 
alguns acidentes, agradáveis, surpresas em muitos embarques e grandes 
tristezas em alguns desembarques. 
Quando nascemos, entramos nesse magnífico trem e nos deparamos com algumas 
pessoas, que julgamos, estarão sempre nessa viagem conosco, nossos pais. 
Infelizmente isso não é verdade, em alguma estação eles descerão e nos 
deixarão órfãos do seu carinho, amizade e companhia insubstituível. Isso 
porem não nos impedirá que durante o percurso pessoas que se tornarão muito 
especiais para nós embarquem. Chegam nossos irmãos, amigos, filhos e amores 
inesquecíveis! 
Muitas pessoas embarcaram nesse trem apenas a passeio, outras encontrarão no 
seu trajeto somente tristezas e ainda outras circularão por ele prontas a 
ajudar quem precise. 
Vários dos viajantes quando desembarcam deixam saudades eternas, outros 
tantos quando desocupam seu assento, ninguém se quer percebe. 
Curioso é constatar que alguns passageiros que se tornam tão caros para nós, 
acomodam-se em vagões diferentes dos nossos, portanto somos obrigados a 
fazer esse trajeto separado deles, só que não nos impede é claro que 
possamos ir ao seu encontro. No entanto, infelizmente jamais poderemos 
sentar ao seu lado, pois já haverá alguém ocupando aquele assento. 
Não importa, é assim a viagem, cheia de atropelos, sonhos, fantasias, 
esperas, despedidas, porém, jamais retornos. Façamos essa viagem então, da 
melhor maneira possível, tentando nos relacionar bem com os outros 
passageiros, procurando em cada um deles o que tiverem de melhor, lembrando 
sempre quem algum momento eles poderão fraquejar e precisaremos entender, 
porque provavelmente também fraquejaremos e com certeza haverá alguém que 
nos acudirá com seu carinho e sua atenção. 
O grande mistério afinal é que nunca saberemos em  que parada desceremos, muito 
menos nossos companheiros de viagem, nem mesmo aquele que está sentado ao 
nosso lado. Eu fico pensando se quando descer desse trem sentirei saudades. 
Acredito que sim, me separar de muitos amigos que fiz será no mínimo 
doloroso, mas me agarro na esperança quem em algum momento estarei na 
estação principal e com grande emoção os verei novamente. Estarão com uma 
bagagem que não possuíam quando embarcaram e o que me deixará mais feliz 
será ter a certeza de que de alguma forma eu fui uma grande colaborador 
para que ela tenha crescido e se tornado valiosa. 
Gente façamos com que a nossa estada nesse trem seja tranqüila, que tenha 
valido a pena e que quando chegar a hora de desembarcarmos o nosso lugar 
vazio traga saudades e boas lembranças para aqueles que prosseguirem a 
viagem. 
Existe somente uma idade para a gente ser feliz, somente uma época na vida 
de cada pessoa em que é possível sonhar e fazer planos e ter energia 
bastante para realizá-los a despeito de todas as dificuldades e obstáculos. 
Uma só idade para a gente se encantar com a vida e viver apaixonadamente e 
desfrutar tudo com toda intensidade sem medo nem culpa de sentir prazer. 
Fase dourada em que a gente pode criar e recriar a vida a nossa própria 
imagem e semelhança e vestir-se com todas as cores e experimentar todos os 
sabores e entregar-se a todos os amores sem preconceito nem pudor. Tempo de 
entusiasmo e coragem em que a gente enfrenta com toda disposição de tentar 
algo NOVO, de NOVO e de NOVO, e quantas vezes for preciso. 
Essa idade tão fugaz na vida da gente chama-se presente e tem a duração do 
instante que passa...

Mario Quintana