EU SOU...

sábado, 21 de agosto de 2010

Sou alguém e não sou nada
Sou talvez o reflexo da bela crucificada
Sou um prato sem feijão
Sou aquela que vive em sagrada solidão.

Sou aquela que nem marcas no tempo deixei
Sou a esquecida dos olhos que amei
Sou mesmo a visão que ninguém sonhou
Sou a que veio ao mundo encontrar alguém que nunca sequer me procurou.

Sou aquela que a música embalou
Sou a nota que em fé no Amor acreditou
Sou a batalha que a luta se fez vencida
Sou a mulher pelo  inimigo destruída.

Sou a rosa pelos espinhos isolada
Sou a mente romântica irrealizada
Sou a forma mais cruel do cândido prazer
Sou a que nunca mais amará em nenhum amanhecer

Sou a aberração de uma paixão
Sou a que ouvia as mentiras do coração
Sou aquela que pena têm os serviçais
Sou o perfume preso nos próprios roseirais.

Poema de Della Coelho
Imagem: google.com

4 comentários:

{ Neusa Fiesta } at: 21 de agosto de 2010 15:20 disse...

Della, lindo poema. Parabéns!
Por uma coincidência, tenho "algo" escrito já há tempos, com o título de"Já Não Sou"! (rs)
Posto aqui; espero que goste. Beijo!

{ Marcos Airosa } at: 21 de agosto de 2010 16:39 disse...

Della, eu vivo seus poemas, eu me alimento deles, mas com certeza, haverá um dia em que todas essas palavras irão mudar, e eu ouvirei que esta rosa envolta hoje nos espinhos , irá escapar para, linda e bela reinar na mais bonita roseira de uma grande paixão.

{ Della } at: 28 de agosto de 2010 17:11 disse...

Neusa, já li seu poema, ADOREI e comentei.
Muito interessante o diálogo que encontramos em Literatura. Com certeza, mesmo sem a intencionalidade do artista a intertextualidade é presente na expressão da Alma Humana- ARTE!
Obrigada e um beijo enorme.

{ Della } at: 28 de agosto de 2010 17:15 disse...

Marcos, as palavras mudaram desde a sua presença em minha VIDA!
Beijos.

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